Guerra nas Estrelas. Finalmente Podemos Falar Do Episódio VIII (Parte 1) – Crítica O Lado Cinéfilo da Força

O Episódio VIII de “Guerra nas Estrelas”. “O Último Jedi”, como não podia deixar de ser, era ansiosamente aguardado pelos fãs, pois havia a expectativa de que algumas questões levantadas pelo Episódio VII já começassem a ser esclarecidas. A noite de estreia do filme no Botafogo Praia Shopping, no último dia 14 de dezembro, foi concorrida como sempre e quem assistiu saiu com a impressão de que era um filmaço, como ocorreu nos outros anos. Entretanto, algumas críticas também surgiram pela internet, e houve até uma petição para que o filme fosse retirado do cânone, provocando debates muito acalorados. Como todo filme, é necessário que se assista a ele mais vezes para se ter uma opinião um pouco mais coesa e argumentada, livre de arroubos emocionais mais profundos. Passada toda a intensidade da estreia, creio eu que já dá para a gente conversar um pouquinho mais sobre o que foi “O Último Jedi”, agora com spoilers, obviamente. Vamos aqui fazer uma espécie de exercício imaginativo para analisar o filme.

Walkers. Alusão a "Império Contra Ataca"

Em primeiro lugar: a película foi boa? Na minha modesta opinião, podemos dizer que tivemos um bom filme. Mas ficou aquela sensação de que a coisa poderia ter sido um pouco melhor. Eu pretendo dividir essa análise em duas partes. Inicialmente, vou dizer onde o filme teve virtudes e, depois, onde o filme teve problemas e o que poderia ter sido feito para melhorá-lo.

Se fizermos uma comparação com o Episódio VII, o Episódio VIII tem uma vantagem logo de cara, que foi um filme que tinha a sua própria história, não fazendo alusões excessivas a outros filmes, como foi no caso do “Despertar da Força”, onde foram apresentadas muitas referências a “Uma Nova Esperança”, o Episódio IV. Houve até um fan service no Episódio VIII, com momentos inspirados em “O Império Contra Ataca” e “O Retorno de Jedi”. No primeiro caso, a referência mais latente foi o combate na base rebelde, onde novamente tínhamos walkers, uma linha de atiradores e uma paisagem embranquecida (logo a neve de Hoth veio à cabeça). Mas aí o soldado rebelde passa a mão no chão e leva à língua, falando depois que aquele branco todo era sal, numa clara piada com o imaginário dos fãs. Quando temos esse tipo de referência sem muitos exageros e com uma piada que dialoga com o espectador, aí sim temos algo de bom e espontâneo, não sendo tão forçado quanto a overdose de Episódio IV no Episódio VII. Já as menções ao “Retorno de Jedi” aparecem, sobretudo, na ida de Rey com Ren à sala de Snoke. A mesma conversa que Rey teve com Ren, tentando dissuadi-lo do lado sombrio da Força, teve Luke com Vader em “O Retorno de Jedi”. Ainda, tanto Rey quanto Luke estavam algemados nesse momento. E Snoke também mostrava a Rey como a frota da Resistência era sumariamente atacada e destruída pela Primeira Ordem, tal como o Imperador mostrava a Luke como a Aliança Rebelde era destruída pela Frota Imperial no ataque à Segunda Estrela da Morte. Foram momentos pontuais do filme que chamaram bastante a atenção, fizeram as devidas homenagens e saíram de cena por cima, sem se tornarem enfadonhos.

  Sala de Snoke. Alusão a “O Retorno de Jedi”

Outro ponto importante e bom do filme foi a interação telepática entre Rey e Ren. Inicialmente, ficou-se a impressão de que os dois são realmente irmãos, em vista de tal empatia. Posteriormente, os fãs começaram com uma história (um tanto ridícula, a meu ver) de uma intenção de relacionamento amoroso entre os dois. Mas, mais importante do que tudo isso, essa interação Rey-Ren serviu para mostrar que cada um tem um pezinho no outro lado. Ou seja, se Ren está mergulhado no lado sombrio, o remorso por ter matado Han Solo, seu pai, o deixa em conflito, dando indícios de que ele poderia ir para o lado da luz. Já Rey, por sua vez, ainda não está 100% antenada com a filosofia jedi e mostra muitos momentos de ódio (inclusive apontados pelo próprio Ren, desde a cena da floresta, no episódio anterior, até alguns momentos no presente episódio), o que poderia conduzir a moça para o lado sombrio. Esse foi um dos aspectos mais relevantes do filme, a meu ver e torço muito para que ele seja mais desenvolvido ainda (o que parece um caminho inevitável) no Episódio IX. Isso sem falar que a cena em que os dois lutam juntos na sala de Snoke após a sua morte foi algo inesperado e muito bem-vindo para o filme. Ainda mais porque os dois lutaram entre eles depois que Ren sugeriu a Rey governarem a galáxia juntos, assim como Anakin sugeriu à Padmé no Episódio III.

   Interação telepática Rey-Ren. Ponto positivo

No próximo artigo, vamos continuar a falar dos pontos positivos do Episódio VIII.  Até lá!

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