“It – A Coisa” – crítica O Lado Cinéfilo da Força

“It – A Coisa” chega como aquele filme para trincar os dentes de medo, mas quem espera pelo foco único no gênero do terror e no palhaço medonho está enganado, felizmente. A adaptação de uma das mais célebres obras do mestre Stephen King chega aos cinemas brasileiros em 7 de setembro (antes mesmo dos EUA) para também divertir com tiradas cômicas entre os personagens e apavorar com o palhaço dançarino Pennywise, engrossando a boa leva de filmes do gênero.

A história dos pequenos Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly se passa em 1985, na pacata cidade de Derry, no estado do Maine, que vive o estigma de maldição histórica depois de tantos acidentes inexplicáveis e desaparecimentos infantis nos EUA. Em meio aos estudos e a tentativa de uma infância normal, as sete crianças mais zoadas do colégio são conhecidas como o Clube dos Perdedores, vivendo seus problemas pessoais de exclusão, discriminação e até violência doméstica. Frágeis nesse ambiente de reclusão e aflição entre os moradores, o medo é o ingrediente perfeito para Pennywise atrair cada uma das suas presas a cada 27 anos.

É sabido que algumas pessoas têm mesmo medo de palhaços, termo em psiquiatria denominado como coulrofobia, atingindo mais crianças que se deparam com estes famosos personagens de circo, povoando seu imaginário de forma desagradável por algum motivo traumático. Curiosamente alguns dizem que alcançaram a cura dessa fobia após ler o livro de King. Outros podem passar a ter medo de palhaços por causa do filme e sua caracterização medonha.

O roteiro de Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman traz um misto de terror “jump scare”, suspense mediano, drama leve e bom humor, o que torna tudo um ótimo entretenimento. Sim, há cenas fortes de violência e até repugnantes de contorcer o rosto. A atuação de Bill Skarsgård encarnando Pennywise tem incontáveis expressões que vão desde a falsa delicadeza atraente aos inocentes, passando pelo cinismo junto aos céticos, até o aterrorizante em tudo e todos. O palhaço é, se bem observado no contexto da história, uma das manifestações do medo que cada criança sente para que, assim, elas estejam mais fracas e vulneráveis. Mas como dito, o filme não é só horror. O Clube dos Perdedores pode parecer só um grupo de amigos em aventuras mas também é a forma de apresentar os dramas pessoais, expondo fraquezas e falhas individuais que os levam a necessidade de superação e coragem, tornando-os fortes movidos pela amizade, união e cumplicidade diante dos momentos mais difíceis e desafiadores. O alívio cômico se faz presente sem exageros, bem encaixado entre algumas cenas tensas que você está travado na poltrona e, de repente uma imagem ou troca de palavras inusitada chega e o leva a uma boa risada, pra se arrumar e entrar de novo no clima geral do filme. Parte disso tudo tem corpo graças às boas atuações de Jaeden Lieberher, Finn Wolfhard, Wyatt Oleff, Chosen Jacobs, Jeremy Ray Taylor e Sophia Lillis, fazendo com que o espectador não se prenda a somente um deles em todo o filme.

Com um custo de USD 37 milhões, considerado baixo para os padrões atuais, a produção conseguiu entregar uma cenografia e ambientação bem construídas, fotografia com enquadramentos adequados a cada cena e momento da trama favorecendo o clima, efeitos especiais idem e de muito bom nível, e elenco que conquista no conjunto também graças a direção de Andrés Muschietti. A edição agradou, ajudando a compreender bem a sequência de fatos, mas em certos momentos pareceu que o filme poderia ter menos que os 2:15 minutos apresentados.

“It – A Coisa” foi apresentado pela primeira vez num filme para a TV norte-americana em 1990, que criou uma legião de fãs mundo afora. Agora, com a adaptação de 2017 feita com mais recursos, pode criar uma nova geração de admiradores ávidos por mais sobre os valentes amigos que se unem num pacto de luta contra o palhaço amaldiçoado.

Ah. Este é um filme que vale ser assistido na tela grande e com um bom som pra ajudar a assustar, valendo cada crédito da República do seu ingresso. Quem viveu os anos oitenta vai se sentir saudoso e se divertir muito com referências de época em "It". E vai flutuar também.

Leva 9 (nove) sabres de luz na avaliação.

May the movie be with you.

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