“Punhos de Sangue” – Crítica O Lado Cinéfilo da Força

Você gosta de pugilismo? Então “Punhos de Sangue” é uma película que pode te atrair mesmo que o boxe seja apenas um pano de fundo. Esse filme, acima de tudo, fala sobre a condição humana e de como sofremos quando tomamos decisões erradas em nossas vidas. Mais um daqueles filmes que nos faz refletir. Mas que, desta vez, tem toda uma referência especial.

Vemos aqui a história de Chuck Wepner (Liev Schreiber), um pugilista profissional que é o campeão local de sua cidade. Existia uma grande chance de Chuck poder lutar contra o campeão mundial de pesos pesados, George Foreman. Entretanto, Foreman foi derrotado por Mohammad Ali no Zaire, o que, aparentemente, tinha enterrado as chances de Chuck. Só que, numa reviravolta sensacional, o empresário de Ali, Don King, decidiu fazer uma luta que fosse mais uma questão racial, onde Ali espancaria impiedosamente um lutador branco azarão, no caso, o nosso protagonista. A luta durou todos os quinze rounds e terminou com nocaute técnico para Ali. Mas nosso Chuck não cairia no esquecimento, pois ninguém mais, ninguém menos que Sylvester Stallone usou a história de vida de Chuck para desenvolver o personagem Rocky Balboa. E aí, nosso protagonista se sentiu uma verdadeira celebridade. Entretanto…

Basicamente, o filme tem duas camadas. A mais externa é toda a ligação da história do protagonista com o personagem de Rocky Balboa, que é o que atrai o espectador para o cinema. Mas, abaixo desse verniz mais espetaculoso, está o drama do personagem protagonista em si. Um cara que, apesar de não ter muito, tinha o suficiente para viver: emprego, uma esposa apaixonada, uma filha. Só que o camarada se perdeu, maravilhado pelos holofotes da fama. Optou-se por colocar o processo de decadência do nosso protagonista de uma forma um tanto quanto tragicômica, transformando-o num palhaço irresponsável, num idiota. Creio que isso não ficou de bom tom no filme, que tratou com galhofa um assunto que deveria ser visto mais seriamente. Assim, mostrou-se pouco respeito com uma boa história a ser contada, o que foi uma pena.

No mais, podemos falar de atores. Liev Schreiber, que fez o protagonista, atuou relativamente bem, convencendo como o verdadeiro trouxa que era o seu personagem. Alguns momentos cômicos eram constrangedores e os momentos mais dramáticos eram angustiantes, numa prova de que o ator foi bem. Marcantes, também, foram as atuações das atrizes que fizeram as mulheres realmente importantes na vida de Chuck. Elisabeth Moss fez uma esposa que podia ser extremamente brincalhona e amável, mas também furiosa de uma forma muito convincente. Já Naomi Watts fez uma bartender que não se dobrava de jeito nenhum aos galanteios de Chuck, o que deu muito carisma à personagem. Morgan Spector, o ator que interpretou Sylvester Stallone, convenceu com sua atuação, embora ele flertasse com o caricato em alguns momentos.

Assim, “Punhos de Sangue” é menos um filme de boxe e mais um filme sobre a condição humana. Uma história real que é uma verdadeira lição para os otários de plantão. Mas também um filme que errou na mão, ridicularizando o seu personagem principal, o que ficou um pouco feio. Poderia ter sido um drama mais doloroso do que uma tragicomédia morna. Enfim… Se você gosta de pugilismo e de Rocky Balboa, ainda vale a pena. Procure lá nos DVDs da vida…

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