Battlefront. Finalmente A Guerra Chega Às Estrelas.

Capa do Livro

Mais um lançamento da Editora Aleph. “Battlefront”, escrito por Alexander Freed, traz finalmente um clima real de guerra ao Universo de “Guerra nas Estrelas”. Se a saga de George Lucas sempre nos mostrou um lado mais fantasioso e de aventura, com a guerra em si se expressando mais como um pano de fundo, “Battlefront” vem corrigir essa impressão até certo ponto incômoda e traz em cores vivas todos os horrores da guerra. Ao ler as páginas do livro, parece que assistimos a um filme do naipe de um “Platoon” ou “O Resgate do Soldado Ryan”, ou seja, com cenas violentas e sensações de perdas arrebatadoras. Conhecido mais como um jogo de videogame, “Battlefront” em seu formato de livro é mais uma grata surpresa que enriquece a franquia de “Guerra nas Estrelas”.

Mas, no que consiste a história? Ela se passa entre os Episódios IV (“Uma Nova Esperança”) e V (“O Império Contra Ataca”) e vai enfocar as ações da 61ª Infantaria Móvel, também conhecida como Companhia do Crepúsculo, um destacamento de leais e corajosos soldados da Aliança Rebelde. Situados na Orla Média, eles são obrigados a se retirar após uma violenta investida do Império. Como a Companhia sofre muitas baixas, ela precisa fazer constantemente recrutamentos nos vários mundos pelos quais ela passsa. Num desses mundos, eles conseguem capturar uma governadora imperial local que mostrou seu desejo de desertar e ajudar a Aliança com informações estratégicas. Mas, até onde a Companhia pode confiar nela? Quais serão os próximos passos após a retirada? E como sobreviver aos ferozes ataques do Império, que caça a Companhia pela galáxia, ainda mais agora que ela tem a posse da governadora?

O livro é, basicamente, uma sucessão de combates efetuados pela Companhia e de defesas contra ataques do Império. Cabe frisar aqui que (alerta de spoiler) a Companhia está em Hoth combatendo os walkers imperiais, tal como vemos em “O Império Contra Ataca”, onde o protagonista do livro, o soldado Hazram Namir, chega a inclusive bater um papinho com um simpático dono de cargueiro. Falando no protagonista, o livro tem um fio narrativo condutor que é a história da Companhia, mas também tem duas histórias paralelas que aparecem em capítulos esporádicos que tratam da vida pregressa de Namir e da vida de uma stormtrooper. Essas três histórias acabam se amarrando bem ao final do livro. Cabe dizer aqui que as histórias ocorrem em espaços e tempos diferentes, o que muito bem sinalizado ao início de cada capítulo, para que o leitor não se perca em todas essas histórias paralelas.

 Pesado clima de guerra

Outra virtude do livro é que, como ele apresenta muitos personagens inéditos, fazendo praticamente apenas menção aos personagens consagrados da saga, o autor teve toda uma preocupação em construir muito bem esses personagens, dando-lhes um passado bem estruturado, seja para os mocinhos, seja para os vilões. Isso ajudou o leitor a desenvolver todo um grau de empatia e intimidade com os personagens e não seria nada demais se essse livro tivesse uma continuação. Freed conseguiu cativar muito o leitor com uma descrição detalhada dos personagens.

Agora, a grande atração do livro e o seu diferencial com relação a outras obras literárias de “Guerra nas Estrelas” é o já citado clima real de guerra. O autor descreve com riqueza de detalhes tudo o que acontece nos “fronts” de batalha, assim como as mortes violentas dos camaradas da 61ª Infantaria Móvel. Além do que já vemos de costumeiro nos bons filmes de guerra que assumem um tom mais realista, o livro traz questões de guerra bem atuais como o severo ataque de armas químicas que a Companhia do Crepúsculo sofreu, sendo essa a parte mais pesada de um livro cheio de trechos muito sombrios e traumatizantes, algo nunca visto em “Guerra nas Estrelas”. Trazer esse tipo de gênero à franquia somente a amadurece e a engrandece cada vez mais.

Assim, “Battlefront” é mais um feliz lançamento da Aleph não por trazer uma história relacionada a um jogo de videogame, mas por trazer uma história que acrescenta à “Guerra nas Estrelas” os verdadeiros horrores da guerra e, ainda por cima, traz personagens muito bem construídos e que dependem muito pouco de personagens consagrados. Vale muito a pena ler!

 Batalha de Hoth como cenário

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