Revisitando o Documentário “Império de Sonhos” (Parte 12)

Irwin Kershner, que havia sido convidado para dirigir “O Império Contra Ataca”, nunca havia dirigido um blockbuster, sendo mais conhecido por filmes guiados por personagens como “Os Olhos de Laura Mars”. Mas “O Império Contra Ataca” precisava de uma ênfase maior nos personagens. Kershner dizia que a linha dramática de “O Império Contra Ataca” era muito difícil e que o filme precisava de um certo humor desde que não fossem piadinhas. Deveria haver uma história de amor, mas sem sentimentalismo excessivo, ou seja, algo mais implícito. Algo forte deveria se passar na alma de Luke, que é o personagem que irá guiar o filme. E Kershner admitia que não sabia como fazer isso. Pelo menos, a Industrial Light and Magic era uma empresa mais bem estabelecida dessa vez. A empresa saiu do prédio velho em que ficava no norte da Califórnia para um novo prédio num lugar mais bem situado (Marin), pois havia mais dinheiro. A equipe ficou entusiasmada e decidiu dar um grande visual ao filme trabalhando nos efeitos especiais na base da diversão. Eles começaram com os andadores AT-AT e a sonda envidada por Vader a Hoth. Para as filmagens na Noruega, era necessário um modelo da sonda de dois metros e meio de altura.

Os efeitos especiais estavam bem mais convincentes...

Os efeitos especiais estavam bem mais convincentes…

As filmagens de “O Império Contra Ataca” trouxeram uma série de problemas inesperados. O orçamento foi muito maior e as filmagens na neve, com seu branco excessivo, trouxeram problemas para os efeitos especiais, que não conseguiam manter a cor das imagens. Ainda, as condições climáticas adversas prejudicaram o processo como havia acontecido na Tunísia para a produção de “Uma Nova Esperança”. Desta vez, a Noruega passava pelo pior inverno de sua História nos últimos cinquenta anos. Havia cinco metros de neve e vinte e oito graus negativos. As locações eram atrás de uma geleira e eram precisos tratores para se deslocar por lá. Varinhas eram fincadas de dois em dois metros para ajudar na localização, pois quando nevava, tudo ficava branco demais e as pessoas se perdiam. Kershner disse que, quando chegou à Noruega, não conseguia sair do hotel em virtude de uma grande quantidade de neve que se acumulava à porta. Ele, então, colocou a câmara na porta dos fundos do hotel e Mark Hamill corria do lado de fora fingindo fugir da criatura de gelo enquanto que a equipe de filmagem ficava dentro do hotel quentinho. Mais tarde, eles conseguiram fazer as filmagens, sabendo corretamente onde os efeitos especiais estariam encaixados nas cenas.

Lando, um personagem dúbio, se junta aos demais personagens

Lando, um personagem dúbio, se junta aos demais personagens

Nas filmagens de efeitos especiais, ao invés do tradicional fundo azul, foi usada uma série de pinturas de ambientes na neve feita por uma pessoa da ILM. As sequências com os andadores AT-AT e com os tontons (aqueles bichinhos montados por Luke e Solo) foram feitas em sua maioria com essas pinturas de findo. As cenas com os andadores acabaram gerando efeitos especiais mais convincentes do que em “Uma Nova Esperança”.

Novamente foram usados os estúdios Elstree em Londres. Surgiria um novo personagem, Lando Calrissian, interpretado por Billy Dee Williams. Nas palavras do ator, é mais instigante fazer um personagem de dupla personalidade com relação ao caráter, principalmente se ele for bonito e ele era bonito. Outro personagem surgiu neste filme: o frio e calculista caçador de recompensas Boba Fett.

Na cena em que Han Solo é congelado, aconteceu aquilo que toda pessoa que gosta minimamente de “Guerra nas Estrelas” já sabe. No roteiro original, foi escrito por Lucas que, antes de Solo ser congelado na carbonita, Leia dizia para ele que o amava e Solo respondia “Eu também”. Mas Harrison Ford achou que não se estava aproveitando totalmente o que era o personagem Han Solo. Foram tentadas várias tomadas sobre essa cena e nenhuma satisfazia Kershner. Até que o diretor disse a Ford que não pensasse nisso e disse “Ação!”. Foi quando saiu o famoso “eu sei” em resposta ao “eu te amo” de Leia. Kershner disse então: “Corta! Foi uma ótima fala. Han Solo é assim”.

No próximo artigo, falaremos de Yoda e de seu complicado processo de filmagem. Até lá!!!

"Eu te amo!"; "Eu sei!"

“Eu te amo!”; “Eu sei!”

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