Revisitando O Documentário “Império de Sonhos” (Parte 2)

Lucas e Coppola. Parceria no início de carreira.

Lucas e Coppola. Parceria no início de carreira.

Vamos dar sequência à saga da produção de “Guerra nas Estrelas”, tal como mostrado no documentário “Império de Sonhos”.

Assim que saiu da Universidade, Lucas se juntou a Francis Ford Coppola, que fundou a American Zoetrope, uma empresa cinematográfica independente, em 1969, na cidade de San Francisco. Lucas, nessa época, não tinha a intenção de ficar famoso, mas tinha plena consciência de que queria manter o controle de seu trabalho. Em 1971, Lucas fez a versão cinematográfica de seu filme estudantil THX-1138. Quando os executivos da Warner viram o filme, exigiram que Coppola devolvesse o adiantamento que a Warner havia dado a American Zoetrope para o filme de Lucas e outros da produtora independente. Isso implodiu a jovem empresa e Lucas ficou sem trabalho. Assim, Lucas abriu sua própria empresa, a Lucasfilm Limited. O seu primeiro projeto foi American Graffiti, que falava, de forma carinhosa, do comportamento adolescente da década de 60.

"Américan Graffiti", primeiro filme da Lucasfilm.

“Américan Graffiti”, primeiro filme da Lucasfilm.

Produzido pela Universal Studios, o filme foi vagamente baseado em experiências próprias de Lucas e sua paixão por carros quando vivia em Modesto. Lucas disse que, nessa época, deixou de ser experimental e rígido e aceitou um desafio de Coppola que dizia que ele não conseguiria fazer uma comédia simples. As filmagens duraram 28 dias e custaram menos de um milhão de dólares. O co-produtor foi Gary Kurtz, outro aluno da Universidade do Sul da Califórnia. Kurtz disse que, após a produção do filme, foi organizada uma mostra num cinema de San Francisco e para eles, a resposta tinha sido positiva. Mas Ned Tanen, da Universal, ficou muito irritado, pois ele achava que o filme ainda não deveria ter sido exibido “naquele estágio”, o que deixou o pessoal da Lucasfilm chocado. Lucas reclamou que seus filmes não foram entendidos e foram mexidos pela Universal.

Gary Kurtz, co-produtor de "American Graffiti"

Gary Kurtz, co-produtor de “American Graffiti”

Nessa época, Lucas já pensava numa ópera espacial no estilo de Flash Gordon da década de 30. E começou a dedicar-se a isso. As pessoas lhe diziam que, com tanta coisa para escolher, por que aquilo? E Lucas respondia que era divertido fazer filmes para a juventude, sendo uma chance de causar aos jovens uma certa impressão. E ele queria fazer aquilo. Com tal conto de fadas galáctico, Lucas queria reinventar um gênero clássico. Na época em que escrevia o roteiro para Guerra nas Estrelas, Lucas lia muitos textos do educador Joseph Campbell, que eram estudos das origens de mitos e religiões de todo o mundo. Campbell buscava uma ligação entre mitos de culturas diferentes buscando um fio condutor que as costurasse. Lucas procurou condensar todas essas ideias de várias culturas em temas que fossem universais.

Joseph Campbell, cujos estudos influenciaram a mente de Lucas

Joseph Campbell, cujos estudos influenciaram a mente de Lucas

Ele disse que deve muito o sucesso de Guerra nas Estrelas a fundamentos psicológicos que existem há milhares de anos e que ainda causam a mesma reação às pessoas quando elas ouvem as histórias antigas e mitos. Estudioso meticuloso nas suas pesquisas, Lucas pediu a Campbell que visse o seu trabalho de Guerra nas Estrelas, perguntando ao intelectual se ele estava no caminho certo, com a ênfase correta, com o personagem certo, etc. Campbell disse que Lucas foi um de seus melhores alunos. Textos como “A Odisseia”, “Beowulf” e “A Lenda do Rei Arthur” e uma série de outros arquétipos místicos influenciaram Guerra nas Estrelas. Segundo Carrie Fisher, a história é jovem, de aventura, mas há coisas mais clássicas como a donzela em perigo (que nem sempre reage de forma convencional, no caso de Leia Organa), há o velho sábio, que você encontra de repente (Obi Wan Kenobi), além como os personagens engraçados (R2 D2 e C3PO), um formato já usado em histórias em outras ocasiões. Há, também, um quê de história ritualística e tradicional de amadurecimento. Um fator-chave para os heróis passa por esse lado mitológico.

Para Carrie Fisher, "Guerra nas Estrelas", é uma história sinultaneamente jovem e clássica

Para Carrie Fisher, “Guerra nas Estrelas”, é uma história sinultaneamente jovem e clássica

No próximo artigo, vamos continuar a contar a história do desenvolvimento de “Guerra nas Estrelas”. Até lá!

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