Guerra nas Estrelas. Finalmente Podemos Falar do Episódio VIII (Parte 5) Crítica O Lado Cinéfilo da Força

Continuemos com nossas impressões sobre Luke Skywalker no Episódio VIII. O que mais incomodou na parte do Luke foi justamente a sequência final, onde ele esteve no campo de batalha virtualmente. Sei que estou indo aqui um pouco na contramão já que muita gente gostou, pois ele mostrou seu verdadeiro poder ao fazer aquilo, etc., mas para mim ficou uma impressão de que o personagem foi mal aproveitado, sendo uma coisa meio Mandrake, 171 até. Sei lá, eu preferia um Luke de corpo presente no campo de batalha. E aí sim ele mostraria seu verdadeiro poder lá, perante um Kylo Ren que ele não entendia e até temia. Já que ele estava muito amargurado pela decepção de sua Academia Jedi ter falhado, que se usasse isso para fazer um lance, digamos, um pouco mais dramático, diferente e inesperado. Sei que muita gente não gosta dessa ideia, mas um Luke amargurado poderia muito bem flertar com o lado sombrio e ter até uns lampejos siths, mesmo que fosse por uns poucos momentos. Por que não? Já que se fez tanta coisa boa e tanta coisa questionável com esses personagens e esses filmes, creio que uma polêmica a mais não faria tanta diferença, com a lembrança de que roteirista de cânone de “Guerra nas Estrelas” tem uma situação muito semelhante a de técnico de seleção brasileira de futebol em época de Copa do Mundo, ou seja, muitos metem o malho. Outro dia, vi no Facebook uma postagem que dizia que era para as pessoas pararem de criticar o filme e, ao invés disso, reescrevê-lo como gostariam que fosse. Como eu achei essa uma ótima sugestão, resolvi fazer um pequeno exercício de imaginação em cima da sequência em que Luke e Kylo Ren se encontram. Aqui realmente devo pedir um pouco de paciência ao nobre leitor.

          Queria ter visto isso no filme… Luke real abraçando Leia…

Vamos lá. Se vai haver um encontro real entre Luke e Ren, como Luke vai sair da ilha? Bom, tem um X-Wing submerso lá. Tudo bem, sei que ele já deve estar todo pifado por estar submerso no mar tantos anos mas quem sabe a Força não pode dar uma mãozinha para consertá-lo? Ou, se isso for totalmente inviável, que Luke saísse da Ilha escondido na Millenium Falcon, sei lá. Sair do planeta não seria dos maiores problemas. Se ele viesse com a Millenium Falcon, a nave chegaria à base rebelde antes do ataque da Primeira Ordem, com Luke descendo à base.

               Que tal um novo final???

Uma vez que ele estivesse no planeta da base rebelde, frente a frente com a nave de Ren e com os walkers, e Ren mandasse todas as armas dispararem, Luke apareceria em outro ponto do vale, enquanto o ponto em que ele estava estaria destruído. Ren mandaria atirar novamente e ele apareceria em mais outro ponto do vale. Na verdade, ele estava se deslocando tão rápido que isso escapava aos olhos de todos. E sem truques de CGI. Quando Ren descesse para conversar com Luke, este último falaria: “Você foi o responsável por uma das maiores decepções da minha vida, escolhendo o lado sombrio”. E Ren retrucaria: “E você também me decepcionou ao tentar me matar”. Luke responde: “Foi somente um momento, um lampejo”. Ren: “Isso não importa mais agora”. Luke: “Tem razão. O que importa agora é que você jamais levará Rey para o lado sombrio”. Ren: “Isso quem tem que decidir é ela”. Luke: “Ela não vai para o lado sombrio, Ben. Eu iria até as últimas consequências para isso”. Ren: “É mesmo? E o que você pretende fazer?”. Luke: “Um dia, eu hesitei. Hoje não hesito mais”. E começaria um antológico duelo de sabres de luz entre os dois, depois de Ren iniciar o ataque. Num determinado momento da luta, os dois sabres presos um ao outro, Luke e Ren cara a cara, bem próximos de suas lâminas. Luke: “Irei proteger Rey do lado sombrio, nem que eu precise ir para o lado sombrio para derrotá-lo!!!”. E os olhos de Luke começam a ficar amarelos. Ele começa a dominar a Força e a usá-la em seu favor, como todo bom sith. E empurra Ren para o chão. Tomado pelo ódio, Luke arremessa seu sabre de luz ao chão e começa a conjurar raios na direção de Ren, que é arremessado de volta para a sua nave. Com a mão esquerda, Luke conjura raios na direção dos walkers à sua esquerda, tombando-os e faz o mesmo com os walkers à direita. Sob o olhar aterrorizado de Ren e Hux, Luke caminha em direção à nave e fala, enfurecido: “Você quer o lado sombrio, Ben? Tome o lado sombrio, então!” . E lança mais raios com as mãos em direção à nave. Ren ordena que ela parta em disparada. Luke fica no deserto de sal fitando com seus olhos amarelos e com uma expressão de profundo ódio a nave da Primeira Ordem que foge. Mas aí vem aquela voz: “Luke!”. E ele se volta para trás, vendo o fantasminha de Obi Wan Kenobi, versão Alec Guiness virtual, assim como foi feito com Tarkin em “Rogue One”. O velho mestre jedi diz: “Depois de todos esses anos, você ainda pode ser uma presa do lado sombrio?”. Os olhos de Luke voltam a ficar azuis. Ele desaba e se ajoelha ao chão, arrasado. “Mestre, o que foi que eu fiz?”, pergunta. “Você mais uma vez foi tomado pelo medo e se deixou seduzir pelo caminho mais fácil”, retruca Kenobi. “Muito me assustou aquela moça e seu poder”, diz Luke. “Nós somente tememos aquilo que desconhecemos”, diz Kenobi. Ele continua: “Faço minhas as palavras de mestre Yoda: Treine Rey. Somente assim você a conhecerá melhor e não mais temerá pelo seu futuro. Ela implora por sua ajuda. Esqueça as mágoas do passado. Dê a ela uma chance e, principalmente, dê a si mesmo uma nova chance. E uma nova esperança para a resistência. Você tem ainda muito a ensinar, meu padawan” Luke pergunta:  “E se eu falhar, mestre?”. Kenobi retruca: “Ainda será uma falha menor que a que você cometeu hoje. Mas saia dessa mágoa, Luke. E olhe para dias melhores. Eles te atrairão e mostrarão o caminho. Lembre-se que tudo depende do ponto de vista”. Obi Wan desaparece no ar. Luke pega seu sabre de luz e retorna para a base rebelde, que já prepara a retirada, se encontra com Rey e fala à moça que irá treiná-la. “Mestre, o que aconteceu?”, pergunta Rey, aflita. “Eu sei, eu errei. Até os mestres podem falhar e fracassar. Tome isso como mais uma lição”, diz Luke. Rey beija carinhosamente as mãos (inclusive a mecânica) de Luke e lhe sai uma lágrima dos olhos, ao mesmo tempo que ela acena afirmativamente com a cabeça e com os lábios comprimidos. O filme termina com Luke e Rey segurando as mãos, sob o olhar complacente de Leia, numa resposta ao final do Episódio VII. Passagem de bastão é o raio que o parta!!!

E por que não???

Eu sei que muita gente pode torcer o nariz para tudo o que eu falei acima com relação a esse final alternativo. Mas, cá para nós, por que não tentar isso? Com uns devidos ajustes ao fio narrativo, isso resolveria, por exemplo, todo o comportamento amargurado de Luke ao longo de todo o filme. E mostraria a Rey todos os perigos do lado sombrio, além de aumentar a conectividade entre a padawan e seu mestre. O treinamento aconteceria entre os Episódios VIII e IX (olhaí, pessoal do Universo Expandido, agora cânone, e as possíveis animações!!!) e o Episódio IX já começaria com Rey como uma mestre jedi (fan service com “O Retorno de Jedi”).

Bom, tudo o que eu falei é apenas uma sugestão. Resta agora esperar até 2019 para vermos o que Rian Johnson fará com o desfecho da trilogia. Esperemos muitos fantasminhas de Luke e que os problemas do Episódio VIII sejam sanados até lá. No mais, que a Força esteja com nós, os fãs, para aproveitarmos o que vier de bom e nos lamentarmos com as decepções que, espero, sejam poucas.

Cotação do Episódio VIII: Sete sabres de Luz

 Vem aí o Episódio IX!!!!

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