O Que Rolou no Cineclube Sci-Fi de 18 de Junho (“Space Battleship Yamato”)

No último dia 18 de junho, tivemos mais uma edição do Cineclube Sci Fi, desta vez com a exibição do filme “Yamato”. Para quem não se lembra, houve uma série na extinta TV Manchete em meados de 1983, 1984 que exibia um anime japonês intitulado “Patrulha Estelar”, que contava a saga da tripulação do Yamato, um antigo encouraçado japonês que foi afundado na Segunda Guerra Mundial e que, em 2199, foi transformado numa nave espacial para defender a Terra das mais perigosas espécies alienígenas. O anime fez muito sucesso e aqui no Brasil foram exibidas duas temporadas: “Cometa Império” e “Crise do Sol”. A série original teve três temporadas e cinco longas. Em 2010, foi realizado um “action movie” inspirado na primeira temporada (“Busca Por Iscandar”) e no único longa não canônico (“Arrivederci Yamato”), onde toda a tripulação e o próprio Yamato são destruídos.

O verdadeiro Yamato

O verdadeiro Yamato

A história do filme exibido fala do ataque ao Planeta Terra pelos alienígenas do planeta Gamilas, que jogam bombas radioativas em nosso planeta, dando um prazo de um ano de vida aos terráqueos, que já vivem nas profundezas em virtude da radiação. Mas uma sonda enviada pelos habitantes do planeta Iscandar trouxe esquemas de um motor de dobra espacial e de uma poderosa arma de ondas, que são instalados na carcaça do Yamato, semienterrado no deserto que se tornaram os oceanos. Sendo a última nave da Terra (toda a frota terrestre foi destruída por Gamilas), caberá agora à tripulação do Yamato fazer a viagem até Iscandar, localizada a 148 mil anos-luz da Terra, na Grande Nuvem de Magalhães, para entrar em contato com essa raça alienígena e saber se há alguma forma de a Terra ser descontaminada da radiação. Mas as forças de Gamilas não irão tornar essa tarefa fácil.

A arma de ondas...

A arma de ondas…

Esse é um filme que tem toda uma inspiração na Segunda Guerra Mundial, que exalta os tempos gloriosos da Marinha Japonesa (o Yamato é o grande protagonista) e lembra, mais uma vez, a tragédia nuclear sofrida pelo Japão (manifesta nas bombas radioativas lançadas contra a Terra por Gamilas). Apesar do “action movie” ser muito bem feito, ele deixa a desejar em alguns pontos, se comparamos com o anime. A questão de se mostrar os inimigos alienígenas de Gamilas através de CGIs e trabalhar uma consciência coletiva trouxeram um empobrecimento do enredo, pois o anime mostrava vários combates do Yamato contra comandantes alienígenas de Gamilas, numa verdadeira batalha espacial com direito a muitas estratégias de guerra, o que tornava os duelos mais interessantes. Entretanto, o “action movie” também teve pontos positivos, como o conflito entre o protagonista Kodai e o capitão Okita (o irmão de Kodai sacrificou sua nave para salvar a vida de Okita, mas Kodai não aceitou isso), que acabou sendo mais bem trabalhado no filme que no anime e uma valorização do papel da mulher nas figuras das personagens Yuki e Dra. Sam.

... e a Estrela da Morte!!!

… e a Estrela da Morte!!!

Após a exibição do filme, tivemos o debate com o público. Os palestrantes foram Flávia Pedroza Lima, astrônoma do Planetário do Rio de Janeiro e mestre em História das Ciências e das Técnicas de Epistemologia pela COPPE/UFRJ, e Carlos Eduardo Lohse Rezende, formado em Astronomia pela UFRJ, História pela UFF e mestre em Astrofísica Estelar pelo INPE (este humilde articulista que vos fala). Flávia fez uma interessante explanação sobre as três temporadas da série, os longas metragens e sobre o criador Yoshinobu Nishizaki, além de querelas de ordem jurídica que impediram a produção de novos longas e séries. Ainda, Flávia mostrou slides que exibiam figuras de aviões japoneses da Segunda Guerra Mundial ornados com pinturas de setas, as mesmas que aparecem nos uniformes dos tripulantes do Yamato no anime e no “live action”. Já Carlos procurou enfocar mais a parte histórica do anime, onde há uma exaltação ao espírito de equipe japonês do pós Segunda Guerra Mundial e uma crítica ao culto à personalidade, principalmente à forma como a figura do Imperador japonês era usada por uma elite militar para manipular os soldados. No anime, o grande vilão de Gamilas, Desslar (ou Desslok) era cultuado por todos de seu planeta. Foi feita também uma pequena e rápida comparação entre Yamato e Guerra nas Estrelas, lembrando que o anime japonês estreou em 1974, ou seja, três anos antes do sucesso de George Lucas que, à época do lançamento do Yamato, ainda escrevia os primeiros tratamentos para o roteiro de Guerra nas Estrelas. Foi ainda exibido um vídeo de cerca de quinze minutos, que é uma compilação dos seis primeiros episódios de “Busca por Iscandar”, exibido no Japão em fins de 1974 (não deixe de ver o vídeo abaixo).

Os palestrantes sendo agraciados com lembranças do Conselho Jedi Rio de Janeiro

Os palestrantes sendo agraciados com lembranças do Conselho Jedi Rio de Janeiro

Assim, tivemos mais um interessante cineclube realizado no Planetário da Gávea, no Rio de Janeiro. Mais uma boa oportunidade de se discutir sobre ficção científica e os outros temas que se desdobram nos debates e palestras. Um programa imperdível! E não deixe de comparecer ao próximo!

No Comments Yet.

Leave a comment

You must be logged in to post a comment.