O Que Rolou no Cineclube Sci Fi de Dez de Setembro (“Jornada nas Estrelas, Primeiro Contato”).

Dando sequência às comemorações dos cinquenta anos de “Jornada nas Estrelas”, o Conselho Jedi Rio de Janeiro e o Planetário da Gávea exibiram conjuntamente o filme “Jornada nas Estrelas, Primeiro Contato” no último dia 10 de setembro.  Considerado por muitos fãs o melhor longa-metragem da Nova Geração, “Primeiro Contato” tem todos os elementos que um bom filme de ficção científica pode ter: viagens no tempo, um poderoso inimigo alienígena e, principalmente, discussões que incitam à reflexão. Decididamente, um ótimo filme de “Jornada nas Estrelas” a ser exibido no Cineclube.

A Enterprise agora é a E

A Enterprise agora é a E

E do que se trata a história? Vemos aqui o Planeta Terra sendo atacado pela perigosa espécie alienígena borg, que assimila civilizações e suas culturas, além de transformar todos os seres vivos assimilados por eles em criaturas cibernéticas. O capitão da Enterprise, Jean Luc Picard (interpretado por Patrick Stewart) já havia sido assimilado pelos borgs na série, tornando-se Locutus. Mas a tripulação da Enterprise invadiu o cubo borg e resgatou seu capitão. Por causa disso, o comando da Frota Estelar não quis Picard por perto no momento da invasão. Mas o intrépido capitão desobedeceu às ordens e enviou a Enterprise para a luta. Um enorme cubo borg estava atacando a Terra e Picard, ao assumir o comando da frota, mandou que todas as naves atirassem numa área aparentemente não vital do cubo. Mas Picard usou seu conhecimento sobre os borgs para provocar a explosão do mesmo. Só que uma pequena esfera saiu do cubo e entrou num vórtice temporal, atingindo a Enterprise. Enquanto estavam no vórtice, os tripulantes da nave da Federação Unida de Planetas olharam para o Planeta Terra e haviam percebido que ele tinha sido assimilado pelos alienígenas. Só poderia haver uma explicação: os borgs voltaram ao passado e assimilaram a Terra. Caberia a Enterprise voltar ao passado e evitar a assimilação. Mas os borgs haviam voltado ao ano de 2063, um dia antes do primeiro voo de dobra espacial realizado pelo cientista Zefram Cochrane (interpretado por James Cromwell), que levaria a espécie vulcana a fazer o primeiro contato com a Terra. A intenção dos borgs era evitar esse voo de dobra e a intenção da Enterprise seria manter esse voo no curso da história.

Data. Novas experiências humanas com os borgs

Data. Novas experiências humanas com os borgs

Dá para perceber que o filme tem um bom enredo. Após sua exibição, tivemos uma palestra novamente com Carlos Lohse (esse humilde articulista que vos fala) e com o astrônomo do Planetário da Gávea, Leandro Guedes. Carlos Lohse fez sua explanação tentando dar um histórico à produção da série Nova Geração para a TV e analisou alguns elementos do filme exibido. Ele citou, por exemplo, que os borgs se assemelham muito a algumas civilizações humanas que interagiam com outras, assimilando suas culturas e tornando-se mais desenvolvidas. Prova disso foram os egípcios, que foram conquistados pelos hicsos e ficaram sob seu domínio por duzentos anos, quando finalmente conquistaram seus dominadores quando aprenderam suas técnicas de guerra e as usaram contra os próprios hicsos. Mas o exemplo mais emblemático foi o dos romanos, que assimilaram a cultura dos gregos, um povo dominado por eles, e tornaram sua civilização ainda mais desenvolvida. A questão do personagem histórico foi outro ponto levantado pelo palestrante. Zefram Cochrane era visto como um herói pela tripulação da Enterprise, pois foi assim que os livros de História o trataram. Mas o cientista gostava de beber, de dinheiro e mulheres, fugindo do herói construído. O palestrante lembrou que a ideia de grande herói histórico é uma construção da historiografia do século XIX e, em pleno século XXI, a historiografia já vê o passado em termos de sociedades e não grandes heróis.

A perversa rainha borg

A perversa rainha borg

Já Leandro Guedes enfatizou alguns aspectos mais ligados à ciência. Ele mencionou como a Enterprise escaneava o espaço para detectar o que havia nele, assim como os navegadores estudam o mar. Guedes também mencionou a natureza malucona de Cochrane, o inventor da dobra espacial. Vários cientistas que realmente fizeram uma grande descoberta tinham um perfil “outsider” parecido. Einstein não estava muito imerso no meio acadêmico quando escrevia a Teoria da Relatividade. Guedes citou Poincaré, que era um pesquisador consagrado na academia e citou num de seus livros a base da relatividade especial, mas não a desenvolveu, por ser algo muito arriscado profissionalmente. Coube a Einstein, que trabalhava num escritório de patentes e era jovem colocar a questão da relatividade a público, já que ele não tinha nada a perder. Guedes ainda se lembra de que o filme é a vitória do humano (a tripulação da Enterprise, o lado humano de Picard e de Data) sobre o cibernético (os borgs). Guedes também cita como a música é bem trabalhada no filme (o rock clássico no filme, assim como a música erudita em “2001”). Ainda, Guedes falou que a velocidade de dobra é algo discutido em ciência, onde não há um propulsor de dobra, ou seja, um motor que impele a nave para a frente. Na verdade, o “motor” de dobra deforma o espaço à sua volta e o espaço deformado é que “desloca” a nave. O debate após as palestras foi altamente frutífero, com a discussão de questões como o que é realmente um buraco negro e de como os cientistas se posicionam com relação à teoria do campo unificado, onde há uma tentativa de se unificar todas as físicas (newtoniana, quântica, relativística e eletromagnética).

Terminada a palestra e a sessão de perguntas, houve o tradicional sorteio de brindes para o público e o aviso de que haveria mais uma sessão do Cineclube no próximo dia 17 de setembro, quando seria exibido o longa “Insurrection”, o terceiro longa da Nova Geração, dentro das homenagens aos cinquenta anos de “Jornada nas Estrelas”. Essa foi mais uma exibição do Cineclube Sci Fi, em parceria com o Planetário da Gávea. Mais uma vez o convite é feito para você que ainda não conhece ou que já compareceu. Bons filmes, debates interessantes e um grande espírito de amizade. Não deixem de comparecer ao próximo! E não deixe de ver o vídeo da palestra em www.facebook.com/jedirio

Zefram Cochrane (esquerda) estabelece o primeiro contato com os vulcanos

Zefram Cochrane (esquerda) estabelece o primeiro contato com os vulcanos

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