Cineclube Sci-Fi CJRJ: “De volta Para o Futuro” Ao Sugo

Do site parceiro Ao Sugo, por Marcus Vinicius.

Existem sempre aqueles filmes que são nostálgicos para algumas pessoas. Estava pensando nisso hoje mesmo. Alguns exemplos para a nossa geração são filmes como Os Goonies, Aventureiros do Bairro Proibido, O Feitiço de Áquila ou História Sem Fim. Esses filmes, simples tanto em concepção como mesmo produção, se comparados com os de hoje, exerceram um papel muito importante para aqueles que os viram e se apaixonaram por eles, mas que, acima de tudo, notaram desde cedo (e mesmo quando crianças) a relevância de cada estória contada. Filmes que, de uma forma delicadamente infantil, porém não tola, estimulavam nossa imaginação e atiçavam nossa subconsciência às coisas que realmente importam.

Sem dúvida nenhuma podemos dizer que a trilogia De Volta Para o Futuro está nesta mesma categoria, o tipo de filme que é inocente e criativo e extremamente divertido. Atualmente, ele ainda é um sucesso entre os velhos nerds. E mesmo entre os (aaargh) cultzinhos da vida. Possivelmente porque eles devem achar que o filme é uma crítica à sociedade de consumo, tal qual a hipocrisia demonstrável na não-condenação do paradoxo temporal quando direcionado aos mocinhos da narrativa. Nós não. Nós gostamos de ver um carro esquisito viajando no tempo e o cara sendo xavecado pela própria mãe.

Back to the Future

Lembram do primeiro filme? Uma breve sinopse: logo na primeira cena somos apresentados a Marty McFly (Michael J. Fox), um adolescente da década de 80 dos EUA bastante típico. Ele tem uma relação de camaradagem com um excêntrico cientista, o Dr. Emmet Brown (Christopher Lloyd), cuja mais nova invenção é uma máquina no tempo, montada num DeLorean porque, segundo o próprio “Doc” Brown, se fosse para fazer uma máquina do tempo, que “fosse com estilo”. Depois de um infortúnio Marty entra no DeLorean, tentando fugir de terroristas que assassinaram Doc, e acaba indo para o ano de 1955, onde tromba com seus próprios pais quando jovens e vai ter que se desdobrar para que seu futuro não seja condenado (admito, esse “vai ter que se desdobrar” pareceu até propaganda de sessão da tarde). Nos outros dois filmes a trama se complica, mas sem tirar o divertimento todo que as produções propõem. O terceiro deles é o mais fraquinho, mas ainda assim rende bons “momentos pipoca”. Meu favorito sempre foi o segundo, porque ele vai para aquele futuro bizarro, no Cafe 80′s, “um bar temático, mas mal-feito”, segundo Doc Brown, e depois pro passado de novo. Ah, aquilo tudo é ótimo. Sempre quis um DeLorean voador.

Estes filmes são uma peça rara do cinema. Surpreendentemente original, De Volta Para o Futuro não é uma ficção barata de viagem temporal. Divertidos e criativos, os filmes de Robert Zemeckis são despretensiosos e, do começo ao fim, um excelente entretenimento sem cair no demérito de serem estúpidos. É incrível como os eventos estão todos relacionados dentro do universo dos filmes e como a linha do tempo traçada ali é rica e cheia de nuances, como, por exemplo, um suposto primo de Chuck Berry que o ajuda a ouvir o “som que ele estava procurando”, e faz com que o primo ouça, pelo telefone, Marty tocando uma música do próprio Chuck Berry, Johnny B. Good, numa das cenas mais memoráveis da trilogia. Até a explicação do 1985 alternativo dada por Doc Brown é convincente. Sempre acho engraçado quando ele fala que achou curioso Biff ter escolhido a data do baile em 1955 para entregar, para ele mesmo, o Almanaque de Esportes, quando ele diz que “essa data deve ser algum ponto de convergência no espaço-tempo contínuo… ou então pode ser uma grande coincidência”.

Back to the Future

O primeiro filme da trilogia foi concebido separadamente, porque inicialmente a estória não foi escrita como trilogia. O sucesso do primeiro filme gerou pedidos de continuações, o que transformou os outros dois em realidade. Segundo o próprio Zemeckis, caso fosse fazer uma trilogia de começo, faria certas modificações no roteiro, para evitar certas complicações, como a namorada de Marty ter visto o DeLorean.

No final das contas, estes são filmes que valem a pena serem assistidos, rendendo uma boa diversão por sua inventividade e bom humor, que alavancou a carreira não só de Michael J. Fox, mas do próprio DeLorean; marcou época e certamente são alguns dos mais divertidos longas da obscura década de 80. Fico muito triste por Michael J. Fox ser acometido por uma doença tão fustigante como o Mal de Parkinson. Contudo, ele é um dos responsáveis por imortalizar uma obra que até hoje e, garanto, por muito tempo mais, será mais um daqueles filmes que você não sente que está perdendo tempo em assistir, mesmo que já o tenha visto inúmeras vezes.

No final das contas, mesmo com todas as suas viagens no tempo, a trilogia De Volta Para o Futuro faz o tempo parar.

Marcus Vinicius Pilleggi

Quer mais De Volta Para o Futuro? Leia a nossa homenagem na íntegra, só para os fortes de coração (e memória)!

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