Star Wars Rebels: Nova série, antigas emoções

Junto a jornalistas, blogueiros e outros que compõem parte da massa crítica de cultura pop, o Conselho Jedi Rio de Janeiro, teve a honra de ser convidado a assistir na manhã de 1° de outubro de 2014 à sessão de cabine de Star Wars Rebels, com a apresentação do episódio inaugural duplo e especial “A Fagulha de uma Rebelião” (Spark of Rebellion). É a primeira série de TV da Disney para a saga, na imensa responsabilidade de ampliar horizontes, atrair a curiosidade de novíssimos seguidores (mirins ou não) e, principalmente, afastar desconfianças e (re)conquistar os mais exigentes antigos fãs da saga original. Uma premiere foi transmitida pelo canal Disney XD no dia 7 de outubro e reprisada em datas posteriores, mas a estreia oficial no Brasil é anunciada somente para 18 de outubro. No mesmo dia, o CJRJ promove um evento para os fãs celebrarem a novidade com o “Especial JediRio: Star Wars – Rebels”.

A série de ação é ambientada entre os eventos do Episódio III e IV – uma era que cobre quase duas décadas nunca exploradas anteriormente na tela. Star Wars Rebels se passa em um tempo em que o Império vem garantindo sua supremacia na galáxia e matando os últimos cavaleiros Jedi quando uma nova rebelião contra o Império está para acontecer.

Pois bem. Vamos falar da carta de apresentação que o piloto da série entregou a este, que pode se considerar um “fã das antigas”, um doutrinado pela trilogia clássica de Star Wars desde criança quando assistiu a “O Retorno de Jedi” no cinema, passando pela fundação do CJRJ, e que não largou mais essa cachaça… ops, a Força até hoje.

Mesmo que o espectador venha na defensiva, com o pensamento de que os filmes são a única forma de expressão válida para qualquer produto Star Wars, que os Skywalker são o motivo para tudo existir, que The Clone Wars pouco empolgou e está agora diante de mais uma série exploratória caça-níqueis, por ser um desenho animado e que CGI traz de volta pesadelos com os exageros vistos nos prequels… esqueça!

Rebels chega com autoridade, com o pé na porta tal qual os antigos Star Wars impressionaram: ação, velocidade, amplitude visual, personagens bem aproveitados e fundamentos que fazem o fã entender e sentir a Força. São referências vistas em frases, comportamentos, naves, objetos, cenários, sons… incontáveis modelos que vimos nos filmes mais antigos foram respeitados. Temos bons duelos em terra, perseguições e batalhas no espaço com a mesma ação dos filmes, e a feliz exploração de objetos consagrados e de outros pouco conhecidos no meio popular, como o Holocron.

Há uma dinâmica visual que dá aquela imersão ao interior dos cenários e das situações vividas pelos personagens. Os ambientes estão abertos, claros, vívidos nessa animação e favorece aquela “vidrada” que os olhos dão inconscientemente na tela. Impressionante o tratamento nas texturas de armaduras, por exemplo, em que há reflexos e sombras correspondendo aos movimentos. Os detalhes nos Star Destroyer e a imponência ao aparecer na tela são muito convincentes. Isso é bem auxiliado e na dose certa pela boa aplicação dos sons em transportes, naves, blasters… tudo o que se usou no passado. A trilha sonora com arranjos e variações das originais de John Williams, sem tantos exageros que estraguem o ritmo foram bem dosados, e até mesmo o respeito à soma imagem + silêncio, que passa despercebida por nós e foi abandonada quase por completo em filmes e séries hoje em dia, ajuda na proposta de Rebels ser mais que um desenho pra animar.

Um dos pontos interessantes e de alívio em Rebels é que os personagens, centrais ou não, se fazem necessários a trama. Isso é bom, para evitar decepções e a sensação de que “este foi criado só pra vender boneco!”, e também promover surpresas. Veja que a personagem Hera, cuja raça Twi’lek era renegada apenas a ser escrava de Jabba em “O Retorno de Jedi”, é tida como uma líder natural do grupo rebelde pela sensatez e frieza nas decisões. Mesmo sendo um Jedi remanescente da caçada promovida pelo Império, Kanan poderia ser o de maior destaque pelos seus poderes, mas a boa construção do personagem pôe de lado a tipificação e temos um refugiado com identidade oculta, contrabandista, e quase abandono dos preceitos Jedi, até que se vê numa nova missão de vida. Aí é que vem o carismático e complicado Ezra, eleito o personagem principal da série, desenvoltura para se meter em confusões e sair delas, órfão ensinado pela vida a ser individualista sem pudor para sobreviver e, ainda assim, promessa Jedi com toneladas de conflitos e pontos negativos mas que não pode ser dispensada. Nesse ponto, arrisco a dizer que Ezra tem atrativos como prodígio da Força cheio de problemas e defeitos tais quais Anakin Skywalker criança em Episódio I: A Ameaça Fantasma! Já Sabine vem com uma personalidade forte não só por ser uma Mandaloriana mas pelas atitudes e as palavras junto aos demais. Para colocar testosterona, Zeb chega como o fortão sarcástico e cheio de si mas com bom coração, numa raça ainda inexplorada no universo Star Wars e baseada em concepções de Chewbacca feitas por Ralph McQuarrie. O falecido desenhista, que ajudou George Lucas a tornar Star Wars real nas telas, também teve outra criação aproveitada noutro personagem com Chopper, o dróide rabugento e teimoso que faz bem o trabalho cômico junto com a turma e sem destoar.

A imponência do Império Galático e toda a sua estrutura bélica, militar e de dominância fica tão visível que parece ofuscar ou tornar os vilões uma minoria. Foi bem trabalhado o cenário de terror e medo do regime de exceção sobre os mundos conquistados, tratando de tomada de terras, genocídio, e escravidão. Mais uma vez, os temas levam a série a um patamar diferente de se pensar que é mais um desenho animado bobo. Falando dos vilões, o Agente Kallus é um agente do Departamento de Segurança Imperial, como uma polícia secreta igual à S.S. da Alemanha nazista, que em parte serve ao Inquisidor, personagem sinistro que recebe ordens diretas de Darth Vader para encontrar e matar os Jedi.

Mesmo figuras conhecidas que ficam em paralelo como Obi-Wan Kenobi, Tarkin, Bail Organa, Jabba, R2-D2, C-3PO e o recém confirmado Darth Vader prometem fazer com que a trama tenha uma encorpada usando ícones com sabedoria. E claro que temos Stormtroopers bem do jeito que todos conhecem e adoram: péssimas miras, atitudes sofríveis, e sacos de pancada.

Os melhores momentos de Rebels tem sido, e dificilmente serão superados, pelos que tratam de temas fundamentais da Força. Quase como uma volta no tempo (e também, cronologicamente falando, um salto no futuro), você tem Kanan tentando não fugir ainda mais do seu dever juramentado como Cavaleiro Jedi, buscando paz e equilíbrio sobre si próprio para se fortalecer em Ezra, repassando os primeiros ensinamentos Jedi e explicações do que é a Força, da sua relação com os seres e a galáxia, como as escolhas influenciam o destino… e praticamente ouve Obi-Wan Kenobi falando com Luke em Tatooine. A trilha sonora imortal de John Williams atua de forma magnífica nesses momentos e, unindo tudo isso ao fato de ser fã, inevitável manter-se impassível. Para quem se emociona com facilidade, podem vir lágrimas. Mesmo para os incrédulos.

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